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O Turista

Fui ao cinema assistir O Turista sem muita pretensão, esperando apenas um filme divertido o suficiente para passar o tempo.

Quando não se tem muita expectativa, é difícil de se decepcionar. Mas ainda assim, o filme estrelado por Johnny Depp (Frank) e Angelina Jolie (Elise) conseguiu me frustrar – ainda mais quando descobri que foi dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, diretor do brilhante A Vida dos Outros, um dos melhores filmes da década passada, e de quem eu com certeza eu esperava um trabalho melhor.

O filme parece errado logo de início, afinal,  sequer encontrou sua essência. Afinal, estamos assistindo a um filme de ação ou de comédia? Infelizmente, parece que há apenas um emaranhado de cenas confusas, muitas vezes recheadas de clichê. Eu não sou contra a mistura de gêneros – há exemplos ótimos de filmes assim, como o maravilhoso Snatch, que mescla comicidade e ação na dose certa –  sendo O Turista praticamente sua antítese.

O filme se apresenta sério e, de início, dá sinais de que pode ser bom, com uma montagem bastante interessante em suas cenas iniciais.

Mas logo algo começa a ficar estranho. A começar pelos atores. A impressão é de que Jolie e Depp não levaram o projeto a sério (afinal, alguém levou?), pois há cenas em que parecem robôs, tamanha a falta de naturalidade apresentada.

 

Pronto. Você acaba de assistir O Turista.

Falando nos atores principais, fica evidente que muita coisa está ali na tela somente para explorar o apelo sensual que ambos tem junto ao público – Angelina Jolie, em especial, às vezes parece desfilar, mais preocupada em fazer sua beleza transbordar para o público do que com seu personagem propriamente dito – ato ao qual com certeza foi orientada.

Obviamente que, dentro dessa proposta, os personagens Elise e Frank passam a interagir cedo no filme. Ela é uma agente especial que tem como missão encontrar em um trem com destino a Veneza um homem com o biótipo de seu amante – afinal, ele é procurado pelo mafioso Reginald Shaw após ter lhe dado um golpe de milhões de euros. Precisando despistar o vilão, Elise acaba escolhendo o americano e professor de matemática Frank para acompanha-la.

A partir daí, algumas cenas forçosas e sofríveis tentam demonstrar uma relação afetiva entre ambos, como em alguns momentos em que trocam olhares intensamente. O problema é que simplesmente não há química entre o casal, que não convence o espectador desse suposto amor.

O roteiro é outro problema. Além dos diálogos “românticos” soarem extremamente falsos, e algumas frases de efeito toscas, as tiradas de humor são forçadas – como na lamentável cena de perseguição no telhado, na qual se é possível apenas pensar “Mas que?”. Então, fica aqui o meu aviso: não se assuste. Você não entrou no filme do Jackie Chan.

Nos quesitos técnicos, falta capricho. As cenas de perseguição não conseguem deixar nem mesmo a cidade de Veneza bonita – em uma delas especificamente, a iluminação sobre os barcos é tão malfeita que deixa sua artificialidade escancarada na tela, praticamente como um lembrete dizendo “isso é um filme”; se é que é possível esquecer disso ao longo da projeção.

Como se pode perceber, é um filme picareta, que se vende como uma produção cheia de ação e que proporciona risadas, mas que na verdade é um (longo) ensaio de Angelina Jolie e Johnny Depp.

Aliás, sem a badalada dupla de atores, certamente esse fraco filme passaria despercebido.

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