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Kony 2012 e as Tendências do Marketing

Mais um semestre teve fim na faculdade, e com isso, finalmente ganho tempo para atualizar o Culturópole. O primeiro post deste período será justamente um trabalho acadêmico que fiz e do qual gosto bastante. O professor de Seminários Avançados de Marketing havia pedido para relacionarmos o estudo IBM CMO Studies 2011  – uma espécie de pesquisa de problemas e tendências com diretores de marketing do mundo todo – e o livro Marketing 3.0, de Philip Kotler a qualquer tema relacionado à marketing.
Minha escolha de objeto de estudo então recaiu-se sobre o filme viral Kony 2012, que é dissecado abaixo:
  1. .    Introdução – O que é Kony 2012

 

Pôster do filme lançado em março de 2012

Para iniciar-se este artigo, é necessário antes de mais nada um detalhamento de seu objeto de estudo: o filme Kony 2012, vídeo lançado através do Youtube no dia 5 de março de 2012.

Kony (http://migre.me/8GIdQ) é uma produção audiovisual da ONG americana Invisible Children que tem como objetivo tornar conhecido mundialmente Joseph Kony, o líder do Lords Resistance Army (LRA) – grupo de guerrilha da Uganda, país da África Central.

O vídeo, de quase 30 minutos, acusa Joseph Kony de ser o responsável pelo sequestro de mais de 60 mil crianças africanas nos últimos 25 anos. Meninos se tornam soldados da guerrilha e meninas são convertidas em escravas sexuais. A punição para quem não aceitar essas condições é a morte.

O filme se foca principalmente na história de um suposto menino-soldado para convocar o público a agir com o objetivo de encontrar Kony ainda neste ano.

Gráfico mostra claramente a explosão de buscas no Google pelo termo “Kony” logo após a publicação do vídeo no Youtube

A produção se encerra com um call-to-action da ONG, que comercializou kits (todos já esgotados) com pôsteres, braceletes e outros itens estilizados da campanha, em um trabalho de design digno de nota.

Considerado o vídeo com maior viralização (poder de disseminação entre os usuários da web) da história da Internet de acordo com o Visible Measures, Kony chegou a 100 milhões de execuções apenas 6 dias após sua publicação e como todo trabalho de tal porte, gerou uma enorme repercussão em todo o mundo.

Gráfico mostra que Kony 2012 foi o vídeo mais rápido da história da Internet a alcançar os 100 milhões de visualizações

O filme é acusado, entre outras coisas, de ter manipulado estatísticas sobre os meninos-soldados, a real condição social em Uganda e de defender supostos interesses dos Estados Unidos no país africano. A ONG Invisible Children também sofre com denúncias de ter gasto apenas 32% de seu orçamento com serviços diretos, enquanto o restante dos fundos pode ter tido outro destino.

Entretanto, neste trabalho, esse juízo de valor sobre o filme será deixado de lado para se colocar em foco a análise de sua eficácia como peça de comunicação e brilhantismo no poder de viralização online, levando em conta os novos preceitos do Marketing. 

2. O Cenário Atual das Mídias Sociais e o Ativismo Digital
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Social Media Week: Giro pelo Mundo, Trollagem e PepsiCo

Com um pouco de atraso, o Culturópole conta tudo que rolou no segundo dia do maior evento de redes sociais do mundo, o Social Media Week.

A terça-feira foi bastante interessante e mostrou que a Social Media Week ainda terá muito o que mostrar nos próximos dias.

Para conseguir uma cadeira (e não desgrudar dela), cheguei bem cedo ao Centro de Convenções da FAAP.

A Fiat tem uma touch screen no SMW que mostra o carro do futuro desenhado através de ideias dos consumidores coletadas em todo mundo sobre como seria o "carro ideal"

 

Uma das melhores mesas até agora rolou as 16h, com a presença de Rosana Fortes e Juliana Costantino, da agência ClickIsobar. O tema era “Mídias Sociais em Giro Pelo Mundo”, e as duas publicitárias mostraram cases de sucesso em todo o mundo além de dados interessantes. Você sabia que o Facebook tem 8 novos cadastros por segundo? E que cada “curtir” seu no site vale U$1,07?

Fiquei encantado especificamente com um vídeo apresentado por elas, mostrando a empresa áerea holandesa KLM presentando seus passageiros graças a informações obtidas em social media. Brilhante trabalho. Confira você também:

Variando um pouco o foco do evento, muito centrado no Twitter, elas apresentaram vários trabalhos voltados a Foursquare, como ações que premiam a fidelidade de quem frequenta uma empresa e dá “check-ins” várias vezes no local. Chamou atenção do público presente também o caso de um supermercado americano que trabalha suas ofertas no Tumbrl, cujo link eu estou a procura e postarei aqui assim que conseguir 🙂

Outro ponto alto do SMW foi a “Valores ds Web – Já Quebramos os Paradigmas da Mudança?”, que se centrou mais em empreendedorismo na web. Com a presença do pessoal do site Jovem Nerd e de Pablo Handl (da iniciativa The Hub, que vale a pena conferir), a conversa destacou desde como a galera nerd conseguiu o apoio de um grande portal e tem até uma loja a parte do site para vender camisetas a como o The Hub faz um meio-de-campo para conectar pessoas.

O SMW recebe o pessoal mais conectado do Brasil!

A aguardada “Don’t Feed The Trolls (Or Do It)” foi uma discussão a parte na SMW. Totalmente descontraída, com mais piadas do que conversa séria, a conversa arrancou risadas da plateia e trollou alguns participantes presentes que queriam levar a sério demais o que simplesmente não deve ser. Ótimo para descontrair e seguirmos para a “Canal Direto: Empresas x Consumidores”, que não tem muito o que ser comentada – foi bem parada, sendo que as piadinhas enviadas com a hashtag #smwsp e apareciam no telão chamavam mais atenção do que o papo dos palestrantes.

Por fim, o gringo (e muito simpático) Bonin Bough roubou a cena e prendeu a atenção na palestra “Um olho no globo, outro na twittada”. O diretor global do setor Digital da PepsiCo fez uma apresentação animada e contou um pouco da estratégia de sua empresa para os novos tempos de social media. Vale destacar sua informação de que quando a Pepsi anunciou que deixaria de anunciar no Super Bowl (evento mais disputado da publicidade mundial), a repercussão gerada foi maior do que se eles simplesmente tivessem investido milhões de dólares e ainda tivessem que disputar a atenção com todos os outros comerciais. A ação chamou ainda mais atenção porque a PespiCo decidiu investir esse dinheiro no projeto Refresh – que financia ideias para gerar um mundo melh0r. O vídeo apresentado foi muito interessante:

Este blogueiro já está atrasado para o terceiro de Social Media Week, ou ficará "descadeirado" pelo resto do dia.

Não deixe de conferir a cobertura pelo twitter do Culturópole e os posts diários resumindo o que rolou de melhor (e pior) nesse grande evento!

Especial Social Media Week

Social Media Week #1 - Primeiras impressões

Social Media Week #0 - Pré-Evento


Social Media Week: Primeiras impressões

Especial Social Media Week. #1 – Primeiras impressões

Teve início hoje a aguardada Social Media Week em São Paulo, e o Culturópole esteve lá para conferir tudo de perto!

A organização do evento está praticamente impecável. Só faltou acertar meu nome..

Logo de cara, fui surpreendido com a atmosfera do SMW. Passar pela porta do Centro de Convenções da FAAP foi como uma viagem a outro mundo; um mundo bastante tecnológico, aliás.

O número de pessoas com aparelhos eletrônicos surpreendeu mesmo para esse tipo de evento – parece que todo mundo estava de olho em uma tela, seja ela de um smartphone, um notebook ou um tablet. Com o Wi-Fi liberado, a celebração das redes sociais estava completa. Além de alguns snacks distruibuidos gratuitamente pela PepsiCo, os geeks de plantão receberam como mimo um caprichado lounge da Oi, que transmite as palestras e discussões via streaming e tem uma decoração toda modernosa.

 

Cada um no seu quadrado!

 

Mas estava faltando o principal: as palestras!

De um modo geral, as discussões que deram o pontapé inicial ao SMW foram bastante interessantes, sendo que as que mais chamaram atenção foram a sobre os Trending Topics do Twitter e a sobre Gestão de Marca nos tempos de redes sociais. Muitas ideias, muitas perguntas e nem tantas respostas. Esse é o ponto principal que notei: o SMW está aí para fazer perguntas, e não responde-las. Não há receita de bolo para lidar com as novas mídias, e o encontro de pessoas da área prova isso, pois nem mesmo os especialistas tem noção exata desse fenômeno tão recente.

Ainda durante as palestras, teve destaque um telão que ficava logo ao lado dos convidados, de frente para a plateia. Funciona ali um radar de tweets, que mostra tudo que está sendo “twittado” com a hashtag #smwsp. Fiz um teste através do @culturopole e de fato funciona; o que escrevi realmente apareceu na tela para todos os presentes.

Assim como nas redes sociais, o radar de tweets não tem censura, e algumas vezes piadas sobre os palestrantes foram enviadas, sendo que em diversas oportunidades, as próprias “vítimas” deram risada do que foi postado. Outra coisa a se destacar foi o spam, como não poderia deixar de ser. Como a hashtag do evento foi parar nos TT, diversos vírus e outros tipos de lixo eletrônico usaram o SMW para se disseminar, o que também era publicado ao vivo no telão. Problemas das redes sociais, problemas do SMW.

Entre uma palestra e outra, os visitantes ainda podiam brincar com o novo acessório do Xbox 360, o Kinect, no stand da Gatorade e até tirar uma foto com o mascote do portal iG 😉

 

Todo mundo queria uma foto com o mascote do iG!

A Social Media Week vai até o dia 11 e o Culturópole seguirá com atualizações ao final de cada no blog e a cobertura ao vivo através do Twitter!

Especial Social Media Week

Post #0:  pré-evento



Social Media Week

O Culturópole está prestes a cobrir seu primeiro evento – e que evento!

A partir do próximo dia 7 vai rolar a Social Media Week, que reunirá profissionais, acadêmicos e aficcionados pelas mídias sociais em 9 cidades do mundo todo simultaneamente. E São Paulo é uma delas.

Esse mega acontecimento trará palestras e discussões com quem mais entende do assunto e será sediado na Faap, em Higienópolis.

Não mora em São Paulo mas se interessou? Não fique triste! O SMW trata de tecnologia, e por isso, não poderia deixar de transmitir os eventos através da Internet, via streaming. Fique ligado neste link !

Para terminar a celebração das redes sociais, agora o Culturópole tem seu próprio twitter (@culturopole), canal pelo qual postarei trechos do evento ao vivo. É só seguir!

É claro que, ao final do dia, você poderá conferir aqui no blog como foi o dia no SMW com maiores detalhes.

Informações

Social Media Week – de 7 a 11 de fevereiro, 2011

site oficial

twitter

facebook



Bilionários (não) por acaso

Mark Zuckerberg é o cara.

Além de eleito homem do ano pela revista Times, o geek fundador do Facebook tem sua história retratada no livro Bilionários por Acaso, que por consequência deu origem ao aclamado filme A Rede Social, dirigido por ninguém menos que o brilhante David Fincher, que inclusive aparece como forte aposta para o Oscar. Zuckerberg está em todo lugar. E você provavelmente está no site dele.

Como bom usuário de redes sociais em geral, a história me chamou atenção e resolvi ler o livro de Ben Mezrich. É importante ressaltar que para a elaboração do livro o autor ouviu ao (ex) amigo de Mark, o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook e expressa, portanto, somente um ponto de vista.

Somos apresentados então a história do crescimento meteórico do site e a trama principal, em que Eduardo vai sendo deixado para trás por Mark pouco-a-pouco na empresa, até uma armadilha judicial que praticamente o exclui do Facebook. Acima de tudo, tanto o livro quanto o filme tratam da irônica situação de Zuckerberg – fundador de um site com 500 milhões de usuários e separado daquele que um dia foi seu melhor (e único) amigo.

Acho fundamental apontar a escolha totalmente infeliz para o título do livro. Desde o primeiro capítulo da obra está bem claro que, no início dos anos 2000, quando a Internet já caminhava a passos largos e começava a deixar muita gente rica do dia para a noite, milhares de pessoas estavam em busca da sua ideia, aquele investimento que viraria o seu bilhão. Mark e Eduardo eram algumas delas. Há sorte em todo esse processo? É evidente. Mas há principalmente, ousadia, tino para os negócios, criatividade, e claro, o fora de uma garota, que levou Mark a criar o Facemash, o protótipo da rede social mais usada no mundo hoje. Definir isso como acaso é diminuir em muito a complexidade da história.

Mas os problemas do livro não se resumem ao título. Ben Mezrich muitas vezes tenta escrever de uma forma que beira o poético, buscando usar palavras mais refinadas para criar metáforas que definitivamente não seriam necessárias e impedem que o decorrer das páginas tenha uma melhor fluência. Além disso, o autor obviamente teve de inventar os diálogos a partir dos depoimentos de Eduardo, o que não faz com muita competência. Muitas vezes eles não soam nada naturais e até há um certo exagero nos palavrões, em frases em que Ben parece quer dar um tom jovem aos personagens mas acaba gerando uma sensação de irrealismo tremenda. No entanto, o desenrrolar dos acontecimentos é tão interessante que o livro acaba por ser uma leitura rápida, apesar desses pontos não-favoráveis.

No filme de David Fincher, entretanto, não há problema com o ritmo ou com a cadência. O roteiro não-linear e os tempos paralelos prendem a atenção do espectador, que passa a visualizar a história na sua cabeça. O único problema, se é que assim posso chamá-lo, é que talvez para quem não tenha lido o livro possam haver algum estranhamento com algumas citações feitas ao longo da projeção, como os Clubes Finais – mais uma das coisas que fazem parte de um mundo a parte chamado Harvard – bem como alguns outros detalhes que podem ser melhores explicados no livro, por motivos óbvios. É como se as duas obras fossem complementares.

Celebridade que só é possível em nosso tempo (impensável há 20 anos), Zuckerberg é representado nas telas por Jesse Eisenberg de forma bastante segura, que te faz parecer conhecer o verdadeiro bilionário mais jovem do mundo.

Mark é aquele cara que você consegue facilmente perceber o perfil e comportamento. É um nerd que tem a facilidade de relacionamento com o computador inversamente proporcional a que tem com pessoas. Fechado, recluso e mesmo monossilábico, é assim que ele é apresentado para o público. Aquele cara estranho que ninguém conversa. Aquele gênio da computação que recusou uma proposta de sete dígitos da Microsoft ainda no ensino médio. E aquele cara que não faz absolutamente nenhum sucesso com as mulheres. Irônico e despreocupado com formalidades (está sempre vestindo moletom e chinelos), Zuckerberg é um grande personagem a ser explorado e tem uma história muito interessante que envolve amizade, relacionamentos, negócios e um dos sites mais populares do planeta.

O filme cumpre bem seu papel e não deixa a desejar. No entanto, se você é fã de computadores e internet, a leitura de Bilionários por Acaso certamente será uma boa experiência, ao mostrar ainda mais aprofundadamente como um nerd excluído transformou o modo como as pessoas se comunicam.

Inclusive no Culturópole. Afinal, se você gostou desse post, pode compartilhá-lo com seus amigos clicando nesse ícone do Facebook logo aqui em baixo. 🙂