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Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

O primeiro post sobre literatura do Culturópole será justamente sobre o último livro que pude ler, o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil.

“Estes são meus princípios. Se você não gostar deles, tenho outros”

(Groucho Marx)

 

Devo abrir esse post dizendo que Leandro Narloch descobriu minha tática. Sempre fui bem em História, minha matéria favorita. Portanto, nunca segui o chavão que abre o livro (um texto pronto sobre História para ser usado em provas, bastando completar alguns buracos de acordo com os assuntos abordados no teste), mas recomendava algo semelhante aos meus amigos que não nutriam esse mesmo interesse pela disciplina.

Na verdade, assim como esse, há alguns outros chavões bastante claros, como a eterna luta de classes bem antes de Karl Marx pensar em existir. Mas enfim, se um dia postar sobre colas, me alongarei nesse assunto. O que interessa agora é o modo como este livro desafia o modo padronizado, que parece muitas vezes impensado dos livros históricos: simplesmente se segue um senso comum há muito estabelecido para se recontar os acontecimentos do passado.

É aí que entra Leandro Narloch. Seguindo os passos do também jornalista Laurentino Gomes (autor de 1808 e 1822), Leandro desmonta a maneira tradicional como a História é ensinada. Nos faz ter medo de quantas vezes um mito pode ter alcançado o status de verdade incontestável ao longo dos tempos por falta de uma pesquisa mais apurada ou interesses pessoais, políticos e comerciais de quem pôde alterá-la.

Polêmico, o autor destrói vários mitos da história nacional, alguns deles que podem até mesmo fazer os mais patriotas contestarem a veracidade do Guia Politicamente Incorreto, como a afirmação de que não foi Santos Dumont que inventou o avião. Você pode até torcer para que o que lê não seja verdade (como, confesso, me peguei fazendo algumas vezes), mas Norloch conta com uma farta pesquisa e extensa bibliografia além de documentações para justificar seus argumentos.

Como explicitado no título, o politicamente correto passa longe da obra – é aqui que se encontra o destaque do trabalho de Narloch – afinal, é trazida ao leitor uma nova leitura da História do Brasil, cujo mérito é justamente não ser simplificada, sem as tradicionais definições rasas e primordialmente maníqueistas, como o clássico “europeu branco malvado vs. índio coitado”. Não, o jornalista analisa os mais variados grupos étnicos ou políticos assim como qualquer indíviduo: formado por qualidades e defeitos. Os índios gostavam de guerra e as tribos viviam em conflitos, além de promoverem grandes queimadas em nosso território. A baboseira da vida harmoniosa entre nativos e natureza (que sobrevive até hoje, basta assistir “Avatar”) é derrubada no Guia.

Leandro acaba focando suas atenções sobre os grupos considerados injustiçados nesses mais de 500 anos de Brasil (sem deixar de esconder um certo viés de direita) o que acaba se tornando justamente o diferencial do livro. Ok, os europeus tinham escravos, e já sabemos disso. O Guia Politicamente Incorreto não tenta negar esse fato, apenas mostrar também que muitos dos próprios negros, quando recebiam a alforria, passavam a participar desse mercado, adquirindo seus próprios súditos. Que os comunistas poderiam ser tão cruéis quanto os militares, na época da ditadura. Que a Inglaterra tentou evitar a Guerra do Paraguai, justamente o contrário do que é ensinado até hoje em todas as escolas.

De fácil leitura, Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil cumpre bem o que se propõe a fazer, derrubar mitos que se tornaram verdades e estão presentes massivamente nos materiais acadêmicos.

É um livro recomendado a todas as pessoas, mas obrigatório para quem gosta de História.

Apenas uma observação a mais: não deixe de conferir a bibliografia. Há muita coisa boa lá. Eu mesmo achei que o livro Maldita Guerra, sobre a Guerra do Paraguai parece bastante interessante e pretendo comprá-lo em breve.


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