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Bilionários (não) por acaso

Mark Zuckerberg é o cara.

Além de eleito homem do ano pela revista Times, o geek fundador do Facebook tem sua história retratada no livro Bilionários por Acaso, que por consequência deu origem ao aclamado filme A Rede Social, dirigido por ninguém menos que o brilhante David Fincher, que inclusive aparece como forte aposta para o Oscar. Zuckerberg está em todo lugar. E você provavelmente está no site dele.

Como bom usuário de redes sociais em geral, a história me chamou atenção e resolvi ler o livro de Ben Mezrich. É importante ressaltar que para a elaboração do livro o autor ouviu ao (ex) amigo de Mark, o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook e expressa, portanto, somente um ponto de vista.

Somos apresentados então a história do crescimento meteórico do site e a trama principal, em que Eduardo vai sendo deixado para trás por Mark pouco-a-pouco na empresa, até uma armadilha judicial que praticamente o exclui do Facebook. Acima de tudo, tanto o livro quanto o filme tratam da irônica situação de Zuckerberg – fundador de um site com 500 milhões de usuários e separado daquele que um dia foi seu melhor (e único) amigo.

Acho fundamental apontar a escolha totalmente infeliz para o título do livro. Desde o primeiro capítulo da obra está bem claro que, no início dos anos 2000, quando a Internet já caminhava a passos largos e começava a deixar muita gente rica do dia para a noite, milhares de pessoas estavam em busca da sua ideia, aquele investimento que viraria o seu bilhão. Mark e Eduardo eram algumas delas. Há sorte em todo esse processo? É evidente. Mas há principalmente, ousadia, tino para os negócios, criatividade, e claro, o fora de uma garota, que levou Mark a criar o Facemash, o protótipo da rede social mais usada no mundo hoje. Definir isso como acaso é diminuir em muito a complexidade da história.

Mas os problemas do livro não se resumem ao título. Ben Mezrich muitas vezes tenta escrever de uma forma que beira o poético, buscando usar palavras mais refinadas para criar metáforas que definitivamente não seriam necessárias e impedem que o decorrer das páginas tenha uma melhor fluência. Além disso, o autor obviamente teve de inventar os diálogos a partir dos depoimentos de Eduardo, o que não faz com muita competência. Muitas vezes eles não soam nada naturais e até há um certo exagero nos palavrões, em frases em que Ben parece quer dar um tom jovem aos personagens mas acaba gerando uma sensação de irrealismo tremenda. No entanto, o desenrrolar dos acontecimentos é tão interessante que o livro acaba por ser uma leitura rápida, apesar desses pontos não-favoráveis.

No filme de David Fincher, entretanto, não há problema com o ritmo ou com a cadência. O roteiro não-linear e os tempos paralelos prendem a atenção do espectador, que passa a visualizar a história na sua cabeça. O único problema, se é que assim posso chamá-lo, é que talvez para quem não tenha lido o livro possam haver algum estranhamento com algumas citações feitas ao longo da projeção, como os Clubes Finais – mais uma das coisas que fazem parte de um mundo a parte chamado Harvard – bem como alguns outros detalhes que podem ser melhores explicados no livro, por motivos óbvios. É como se as duas obras fossem complementares.

Celebridade que só é possível em nosso tempo (impensável há 20 anos), Zuckerberg é representado nas telas por Jesse Eisenberg de forma bastante segura, que te faz parecer conhecer o verdadeiro bilionário mais jovem do mundo.

Mark é aquele cara que você consegue facilmente perceber o perfil e comportamento. É um nerd que tem a facilidade de relacionamento com o computador inversamente proporcional a que tem com pessoas. Fechado, recluso e mesmo monossilábico, é assim que ele é apresentado para o público. Aquele cara estranho que ninguém conversa. Aquele gênio da computação que recusou uma proposta de sete dígitos da Microsoft ainda no ensino médio. E aquele cara que não faz absolutamente nenhum sucesso com as mulheres. Irônico e despreocupado com formalidades (está sempre vestindo moletom e chinelos), Zuckerberg é um grande personagem a ser explorado e tem uma história muito interessante que envolve amizade, relacionamentos, negócios e um dos sites mais populares do planeta.

O filme cumpre bem seu papel e não deixa a desejar. No entanto, se você é fã de computadores e internet, a leitura de Bilionários por Acaso certamente será uma boa experiência, ao mostrar ainda mais aprofundadamente como um nerd excluído transformou o modo como as pessoas se comunicam.

Inclusive no Culturópole. Afinal, se você gostou desse post, pode compartilhá-lo com seus amigos clicando nesse ícone do Facebook logo aqui em baixo. 🙂

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