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Ainda somos o país do futebol

Esqueça o vexatório 7 x 1, brasileiro. Ainda somos o país do futebol.

Ao menos, foi o que se pôde perceber neste domingo (15.03), marcado pela ida de milhões de brasileiros às ruas em protesto contra o governo do PT.

Fui um pontinho na multidão que tomou a Paulista, pois estava ali por perto e quis dar uma conferida e tirar minhas próprias conclusões sobre o que efetivamente acontecia.

População vestida com a camisa da Seleção, buzinas, selfies com os amigos, e cerveja na mão. Se eu tivesse acordado de um coma e me levassem para a principal avenida de São Paulo neste domingo, eu teria achado que havia dormido até a Copa do Mundo de 2018.

Foi quase impossível não se sentir em um estádio graças aos gritos irônicos contra a “torcida” adversária (“Vai pra Cuba, vai pra Cuba!”) , cartazes engraçadinhos, e claro, pelo já famoso coro, dessa vez direcionado ao nosso “técnico” (“Ei, Dilma, vai…”).

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Foto: G1.

Aliás, a simplicidade como é tratada a troca do “técnico” é digna de nota: tal como um torcedor desiludido com seu time de futebol, a população, em boa parte, espera que a mera troca do presidente resolva magicamente todos os problemas do país. Para completar, a cobertura da imprensa e os debates nas redes sociais completaram o clima: a velha disputa do colégio para saber qual torcida era maior foi reeditada na eterna briga dos coxinhas e petralhas.

A abordagem desse assunto tem muitos e muitos ângulos. Não podemos nos esquecer da legitimidade da liberdade de expressão. Não vou nem entrar no mérito dos pedidos (consideravelmente pequenos, proporcionalmente ao número de pessoas presentes) da volta do regime militar – isso não merece sequer ser comentado.  Ao final de tudo, é sim importante que o povo vá às ruas, ainda que replicando o único momento em que é acostumado a ser patriota, de 4 em 4 anos.

Sem mudanças em toda a estrutura política do país, a famosa reforma eleitoral, nada mais podemos fazer do que muito barulho para que saiam algumas ações do governo (que está mais atrapalhado do que nunca) que não envolvam a mera manutenção do poder, troca de favores e corrupção.

Pelo menos, até deixarmos de ser, tais como apaixonados torcedores de futebol, simplistas, que pedem a cabeça do técnico e fecham os olhos para o sistema que o coloca lá.

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