Arquivo da categoria: Cinema

The First Days of Spring

Seguindo a trilha de “album videos” do último post, desta vez quero comentar o filme feito pela banda inglesa Noah and the Whale.

A produção é feita em cima do segundo álbum do grupo folk, “The First Days of Spring” (2009).

De grande sensibilidade e boa qualidade técnica, o filme pode ser assistido no Vimeo, onde foi publicado por Charlie Fink, vocalista da banda. Confira:

 

 

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Scenes from the Suburbs

Está na internet o novo curta-metragem do diretor Spike Jonze – que tem no currículo “Onde Vivem os Monstros” e clipes do Sonic Youth, Daft Punk e Björk, entre outros.

Dessa vez o projeto ocorreu em parceria com o grupo indie canadense Arcade Fire, sendo baseado no último cd da banda, “The Suburbs” – que por sinal, é maravilhoso. Se você não conhece o trabalho dos caras, vale a pena baixar as músicas para então assistir ao vídeo.

O filme tem duração de 30 minutos e está disponível no site Mubo – mas ao menos aqui, tive problemas na execução do vídeo e assisti através do Youtube mesmo.


Rede Brazucah está contratando!

Pessoal,

É com grande orgulho que venho trazer até vocês uma boa notícia!

Se você é universitário e curte cinema brasileiro, está rolando um processo de seleção para trabalhar na Rede Brazucah!

Caso não conheça, a Brazucah é uma iniciativa muito interessante que tem como objetivo divulgar o nosso cinema através de algumas ações desde distruibuição de material na rua a pre-estreias organizadas para um público que pode ajudar a elevar o boca-a-boca dos lançamentos na telona.

Já tive a oportunidade de fazer uns jobs com os caras e o pessoal é muito gente boa! E o melhor, para participar você só precisa ser estudante do ensino superior, não precisa sequer estar cursando algo relacionado a Cinema/Comunicação, basta amar a sétima arte e querer dar uma força para quem produz no nosso país!

Quer participar?

É só clicar aqui para se inscrever no processo de seleção.

Mas corre, hein! 🙂


Cisne Negro

Arrepiante.

Essa é a palavra que melhor define o mais novo trabalho de Darren Aronofksy que chega agora aos cinemas brasileiros, Cisne Negro.

O filme apresenta Natalie Portman no papel de Nina, uma bailarina escolhida para o papel principal no clássico ballet “O Lago dos Cisnes”.

A história se desenvolve demonstrando a transformação gradual da protagonista na própria personagem, pois a doce Nina tem de incorporar o sombrio Cisne Negro, o que levará a perfeccionista bailarina a uma conturbada imersão em seu papel.

A atmosfera criada ao longo do filme é brilhante, mostrando o sufocante ambiente de Nina, que mora com a irritante mãe super-protetora, uma ex-bailarina que deixou a carreira por ter engravidado e desde então passou a viver a vida da filha. Sem sair com amigas ou namorados, a personagem vivida brilhantemente por Portman dedica sua vida somente a companhia de dança e sua mãe. A garota sofre com essa falta de identidade a tal ponto em que, em uma cena, quando é convencida por uma de suas companheiras (e rival) a finalmente sair para uns drinks, quando um rapaz a aborda e pergunta seu nome, ela responde: “sou uma bailarina”.

Repleto de simbolismos, Cisne Negro trata não só da imersão de Nina em seu personagem mas também da busca pela perfeição, o que leva a reflexão. O professor de Nina faz uma interessante observação quando diz que a perfeição não está no controle de tudo, mas sim quando você se deixa levar também. Fluir. É por esse processo que a extremamente rígida com si mesma dançarina terá que passar para desempenhar seu papel.

 

 

Natalie Portman está exageradamente magra para viver a bailarina Nina. Mas continua linda!

 

Outro ponto interessante é o uso de jogos de luz e sombra (muitas vezes com espelhos) usados nas cenas para mostrar o contraste entre o Cisne Branco e o Cisne Negro, o lado delicado e o lado sombrio de Nina e sua transformação. A trilha sonora também é maravilhosa, tornando o filme ainda mais imersivo.

Cisne Negro tem um tema muito díficil de ser abordado e poderia facilmente perder a mão, não fosse a já conhecida competência de Aronofsky (diretor de Requiem for a Dream e O Lutador), que tem uma direção firme e segura.  Aliás, ele mantém seu tom perturbador no filme – o que vai se intensificando ao longo da projeção, que gera uma tensão no público. É uma obra intensa, que prende sua atenção desde o início, chegando a momentos que levam a beira do desespero.

Uma experiência cinematográfica rara e um filme que você não pode deixar de conferir na telona.


O Turista

Fui ao cinema assistir O Turista sem muita pretensão, esperando apenas um filme divertido o suficiente para passar o tempo.

Quando não se tem muita expectativa, é difícil de se decepcionar. Mas ainda assim, o filme estrelado por Johnny Depp (Frank) e Angelina Jolie (Elise) conseguiu me frustrar – ainda mais quando descobri que foi dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, diretor do brilhante A Vida dos Outros, um dos melhores filmes da década passada, e de quem eu com certeza eu esperava um trabalho melhor.

O filme parece errado logo de início, afinal,  sequer encontrou sua essência. Afinal, estamos assistindo a um filme de ação ou de comédia? Infelizmente, parece que há apenas um emaranhado de cenas confusas, muitas vezes recheadas de clichê. Eu não sou contra a mistura de gêneros – há exemplos ótimos de filmes assim, como o maravilhoso Snatch, que mescla comicidade e ação na dose certa –  sendo O Turista praticamente sua antítese.

O filme se apresenta sério e, de início, dá sinais de que pode ser bom, com uma montagem bastante interessante em suas cenas iniciais.

Mas logo algo começa a ficar estranho. A começar pelos atores. A impressão é de que Jolie e Depp não levaram o projeto a sério (afinal, alguém levou?), pois há cenas em que parecem robôs, tamanha a falta de naturalidade apresentada.

 

Pronto. Você acaba de assistir O Turista.

Falando nos atores principais, fica evidente que muita coisa está ali na tela somente para explorar o apelo sensual que ambos tem junto ao público – Angelina Jolie, em especial, às vezes parece desfilar, mais preocupada em fazer sua beleza transbordar para o público do que com seu personagem propriamente dito – ato ao qual com certeza foi orientada.

Obviamente que, dentro dessa proposta, os personagens Elise e Frank passam a interagir cedo no filme. Ela é uma agente especial que tem como missão encontrar em um trem com destino a Veneza um homem com o biótipo de seu amante – afinal, ele é procurado pelo mafioso Reginald Shaw após ter lhe dado um golpe de milhões de euros. Precisando despistar o vilão, Elise acaba escolhendo o americano e professor de matemática Frank para acompanha-la.

A partir daí, algumas cenas forçosas e sofríveis tentam demonstrar uma relação afetiva entre ambos, como em alguns momentos em que trocam olhares intensamente. O problema é que simplesmente não há química entre o casal, que não convence o espectador desse suposto amor.

O roteiro é outro problema. Além dos diálogos “românticos” soarem extremamente falsos, e algumas frases de efeito toscas, as tiradas de humor são forçadas – como na lamentável cena de perseguição no telhado, na qual se é possível apenas pensar “Mas que?”. Então, fica aqui o meu aviso: não se assuste. Você não entrou no filme do Jackie Chan.

Nos quesitos técnicos, falta capricho. As cenas de perseguição não conseguem deixar nem mesmo a cidade de Veneza bonita – em uma delas especificamente, a iluminação sobre os barcos é tão malfeita que deixa sua artificialidade escancarada na tela, praticamente como um lembrete dizendo “isso é um filme”; se é que é possível esquecer disso ao longo da projeção.

Como se pode perceber, é um filme picareta, que se vende como uma produção cheia de ação e que proporciona risadas, mas que na verdade é um (longo) ensaio de Angelina Jolie e Johnny Depp.

Aliás, sem a badalada dupla de atores, certamente esse fraco filme passaria despercebido.


Bilionários (não) por acaso

Mark Zuckerberg é o cara.

Além de eleito homem do ano pela revista Times, o geek fundador do Facebook tem sua história retratada no livro Bilionários por Acaso, que por consequência deu origem ao aclamado filme A Rede Social, dirigido por ninguém menos que o brilhante David Fincher, que inclusive aparece como forte aposta para o Oscar. Zuckerberg está em todo lugar. E você provavelmente está no site dele.

Como bom usuário de redes sociais em geral, a história me chamou atenção e resolvi ler o livro de Ben Mezrich. É importante ressaltar que para a elaboração do livro o autor ouviu ao (ex) amigo de Mark, o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook e expressa, portanto, somente um ponto de vista.

Somos apresentados então a história do crescimento meteórico do site e a trama principal, em que Eduardo vai sendo deixado para trás por Mark pouco-a-pouco na empresa, até uma armadilha judicial que praticamente o exclui do Facebook. Acima de tudo, tanto o livro quanto o filme tratam da irônica situação de Zuckerberg – fundador de um site com 500 milhões de usuários e separado daquele que um dia foi seu melhor (e único) amigo.

Acho fundamental apontar a escolha totalmente infeliz para o título do livro. Desde o primeiro capítulo da obra está bem claro que, no início dos anos 2000, quando a Internet já caminhava a passos largos e começava a deixar muita gente rica do dia para a noite, milhares de pessoas estavam em busca da sua ideia, aquele investimento que viraria o seu bilhão. Mark e Eduardo eram algumas delas. Há sorte em todo esse processo? É evidente. Mas há principalmente, ousadia, tino para os negócios, criatividade, e claro, o fora de uma garota, que levou Mark a criar o Facemash, o protótipo da rede social mais usada no mundo hoje. Definir isso como acaso é diminuir em muito a complexidade da história.

Mas os problemas do livro não se resumem ao título. Ben Mezrich muitas vezes tenta escrever de uma forma que beira o poético, buscando usar palavras mais refinadas para criar metáforas que definitivamente não seriam necessárias e impedem que o decorrer das páginas tenha uma melhor fluência. Além disso, o autor obviamente teve de inventar os diálogos a partir dos depoimentos de Eduardo, o que não faz com muita competência. Muitas vezes eles não soam nada naturais e até há um certo exagero nos palavrões, em frases em que Ben parece quer dar um tom jovem aos personagens mas acaba gerando uma sensação de irrealismo tremenda. No entanto, o desenrrolar dos acontecimentos é tão interessante que o livro acaba por ser uma leitura rápida, apesar desses pontos não-favoráveis.

No filme de David Fincher, entretanto, não há problema com o ritmo ou com a cadência. O roteiro não-linear e os tempos paralelos prendem a atenção do espectador, que passa a visualizar a história na sua cabeça. O único problema, se é que assim posso chamá-lo, é que talvez para quem não tenha lido o livro possam haver algum estranhamento com algumas citações feitas ao longo da projeção, como os Clubes Finais – mais uma das coisas que fazem parte de um mundo a parte chamado Harvard – bem como alguns outros detalhes que podem ser melhores explicados no livro, por motivos óbvios. É como se as duas obras fossem complementares.

Celebridade que só é possível em nosso tempo (impensável há 20 anos), Zuckerberg é representado nas telas por Jesse Eisenberg de forma bastante segura, que te faz parecer conhecer o verdadeiro bilionário mais jovem do mundo.

Mark é aquele cara que você consegue facilmente perceber o perfil e comportamento. É um nerd que tem a facilidade de relacionamento com o computador inversamente proporcional a que tem com pessoas. Fechado, recluso e mesmo monossilábico, é assim que ele é apresentado para o público. Aquele cara estranho que ninguém conversa. Aquele gênio da computação que recusou uma proposta de sete dígitos da Microsoft ainda no ensino médio. E aquele cara que não faz absolutamente nenhum sucesso com as mulheres. Irônico e despreocupado com formalidades (está sempre vestindo moletom e chinelos), Zuckerberg é um grande personagem a ser explorado e tem uma história muito interessante que envolve amizade, relacionamentos, negócios e um dos sites mais populares do planeta.

O filme cumpre bem seu papel e não deixa a desejar. No entanto, se você é fã de computadores e internet, a leitura de Bilionários por Acaso certamente será uma boa experiência, ao mostrar ainda mais aprofundadamente como um nerd excluído transformou o modo como as pessoas se comunicam.

Inclusive no Culturópole. Afinal, se você gostou desse post, pode compartilhá-lo com seus amigos clicando nesse ícone do Facebook logo aqui em baixo. 🙂


Por uma Vida Melhor (Away We Go)

Finalmente estou começando uma maratona de filmes que só é possível nas férias.

O primeiro DVD que aluguei foi Por Uma Vida Melhor (Away we Go, 2009), do diretor Sam Mendes, cujo trabalho mais conhecido é Beleza Americana.

Eu iria escrever um texto sobre essa comédia (a qual muitas vezes beira um humor negro, como nos filmes dos irmãos Coen) que aborda de forma muito particular a história de um casal que se depara com a falta de sentido da vida quando estão prestes a ter um filho.

O título que foi dado na tradução brasileira deixa a desejar, portanto, não se engane: Por Uma Vida Melhor não é uma comédia boba sobre um casal imaturo e perdido no meio de um turbilhão de acontecimentos. Ou talvez seja. Afinal, Hitchcock já disse que o importante não é a história e sim como ela é contada. E Sam Mendes acertou o modo de nos contar a história de seu último projeto.

Ao ler o texto de meu amigo Matheus, também blogueiro e também estudante de Cinema, no entanto, senti que a necessidade de escrever sobre o filme já não existia. Tudo foi dito em sua análise do filme, a qual recomendo para todos.


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