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Sobre Paulo Pivetta

Formado em Publicidade, sorocabano, canhoto, gremista, sempre pensando na próxima viagem.

Ainda somos o país do futebol

Esqueça o vexatório 7 x 1, brasileiro. Ainda somos o país do futebol.

Ao menos, foi o que se pôde perceber neste domingo (15.03), marcado pela ida de milhões de brasileiros às ruas em protesto contra o governo do PT.

Fui um pontinho na multidão que tomou a Paulista, pois estava ali por perto e quis dar uma conferida e tirar minhas próprias conclusões sobre o que efetivamente acontecia.

População vestida com a camisa da Seleção, buzinas, selfies com os amigos, e cerveja na mão. Se eu tivesse acordado de um coma e me levassem para a principal avenida de São Paulo neste domingo, eu teria achado que havia dormido até a Copa do Mundo de 2018.

Foi quase impossível não se sentir em um estádio graças aos gritos irônicos contra a “torcida” adversária (“Vai pra Cuba, vai pra Cuba!”) , cartazes engraçadinhos, e claro, pelo já famoso coro, dessa vez direcionado ao nosso “técnico” (“Ei, Dilma, vai…”).

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Foto: G1.

Aliás, a simplicidade como é tratada a troca do “técnico” é digna de nota: tal como um torcedor desiludido com seu time de futebol, a população, em boa parte, espera que a mera troca do presidente resolva magicamente todos os problemas do país. Para completar, a cobertura da imprensa e os debates nas redes sociais completaram o clima: a velha disputa do colégio para saber qual torcida era maior foi reeditada na eterna briga dos coxinhas e petralhas.

A abordagem desse assunto tem muitos e muitos ângulos. Não podemos nos esquecer da legitimidade da liberdade de expressão. Não vou nem entrar no mérito dos pedidos (consideravelmente pequenos, proporcionalmente ao número de pessoas presentes) da volta do regime militar – isso não merece sequer ser comentado.  Ao final de tudo, é sim importante que o povo vá às ruas, ainda que replicando o único momento em que é acostumado a ser patriota, de 4 em 4 anos.

Sem mudanças em toda a estrutura política do país, a famosa reforma eleitoral, nada mais podemos fazer do que muito barulho para que saiam algumas ações do governo (que está mais atrapalhado do que nunca) que não envolvam a mera manutenção do poder, troca de favores e corrupção.

Pelo menos, até deixarmos de ser, tais como apaixonados torcedores de futebol, simplistas, que pedem a cabeça do técnico e fecham os olhos para o sistema que o coloca lá.

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Kony 2012 e as Tendências do Marketing

Mais um semestre teve fim na faculdade, e com isso, finalmente ganho tempo para atualizar o Culturópole. O primeiro post deste período será justamente um trabalho acadêmico que fiz e do qual gosto bastante. O professor de Seminários Avançados de Marketing havia pedido para relacionarmos o estudo IBM CMO Studies 2011  – uma espécie de pesquisa de problemas e tendências com diretores de marketing do mundo todo – e o livro Marketing 3.0, de Philip Kotler a qualquer tema relacionado à marketing.
Minha escolha de objeto de estudo então recaiu-se sobre o filme viral Kony 2012, que é dissecado abaixo:
  1. .    Introdução – O que é Kony 2012

 

Pôster do filme lançado em março de 2012

Para iniciar-se este artigo, é necessário antes de mais nada um detalhamento de seu objeto de estudo: o filme Kony 2012, vídeo lançado através do Youtube no dia 5 de março de 2012.

Kony (http://migre.me/8GIdQ) é uma produção audiovisual da ONG americana Invisible Children que tem como objetivo tornar conhecido mundialmente Joseph Kony, o líder do Lords Resistance Army (LRA) – grupo de guerrilha da Uganda, país da África Central.

O vídeo, de quase 30 minutos, acusa Joseph Kony de ser o responsável pelo sequestro de mais de 60 mil crianças africanas nos últimos 25 anos. Meninos se tornam soldados da guerrilha e meninas são convertidas em escravas sexuais. A punição para quem não aceitar essas condições é a morte.

O filme se foca principalmente na história de um suposto menino-soldado para convocar o público a agir com o objetivo de encontrar Kony ainda neste ano.

Gráfico mostra claramente a explosão de buscas no Google pelo termo “Kony” logo após a publicação do vídeo no Youtube

A produção se encerra com um call-to-action da ONG, que comercializou kits (todos já esgotados) com pôsteres, braceletes e outros itens estilizados da campanha, em um trabalho de design digno de nota.

Considerado o vídeo com maior viralização (poder de disseminação entre os usuários da web) da história da Internet de acordo com o Visible Measures, Kony chegou a 100 milhões de execuções apenas 6 dias após sua publicação e como todo trabalho de tal porte, gerou uma enorme repercussão em todo o mundo.

Gráfico mostra que Kony 2012 foi o vídeo mais rápido da história da Internet a alcançar os 100 milhões de visualizações

O filme é acusado, entre outras coisas, de ter manipulado estatísticas sobre os meninos-soldados, a real condição social em Uganda e de defender supostos interesses dos Estados Unidos no país africano. A ONG Invisible Children também sofre com denúncias de ter gasto apenas 32% de seu orçamento com serviços diretos, enquanto o restante dos fundos pode ter tido outro destino.

Entretanto, neste trabalho, esse juízo de valor sobre o filme será deixado de lado para se colocar em foco a análise de sua eficácia como peça de comunicação e brilhantismo no poder de viralização online, levando em conta os novos preceitos do Marketing. 

2. O Cenário Atual das Mídias Sociais e o Ativismo Digital
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Top 10 Músicas – 2011

Final de ano é época de listas. Nunca fui de fazer essas seleções de melhores do ano, mas, desta vez, incentivado por um amigo que me pediu um ranking de minhas músicas favoritas de 2011 – acabei por fazer a minha, com muita dificuldade para chegar a somente 10 canções.

Passando por revelações surpreendentes como Lana del Rey a retornos avassaladores de bandas consagradas como o Foo Fighters, eis o meu top 10 Músicas 2011 (não estão em ordem):

1. Under Cover of Darkness – The Strokes

2. No Light, No Light – Florence + The Machine

3.  Sometimes – Miami Horror

4. Subirusdoistiozin – Criolo

5. Arlandria – Foo Fighters

6. Simple Math – Manchester Orchestra

(Clipe muito bom também!)

7. Video Games – Lana del Rey

(Clipe muito bom também!) [2]

8. Post Break-Up Sex – The Vaccines

9. Colours – Grouplove

10. Waste – Foster the People

E que venha 2012! Com os festivais se consolidando no Brasil, terei a chance de ver alguns desses artistas de perto :)!

Sinta-se a vontade para deixar a sua lista nos comentários também.


Reconstruindo Álbuns Clássicos

Há algumas capas de álbuns que ficaram para a história. Como esquecer, por exemplo, do bebê com o peru de fora nadando atrás de uma nota de dólar na imagem do Nevermind, do Nirvana?

O site gringo Specky Boy publicou esta e outras 29 capas clássicas recriadas com peças de Lego – e o resultado é bem interessante. Selecionei algumas das melhores para postar aqui no Culturópole. Para ver o material na íntegra, clique aqui.

Nirvana – Nevermind

Oasis – Definitely, Maybe

White Stripes – White Blood Cells

Pink Floyd – Dark Side of the Moon

Beatles – Please Please Me


The First Days of Spring

Seguindo a trilha de “album videos” do último post, desta vez quero comentar o filme feito pela banda inglesa Noah and the Whale.

A produção é feita em cima do segundo álbum do grupo folk, “The First Days of Spring” (2009).

De grande sensibilidade e boa qualidade técnica, o filme pode ser assistido no Vimeo, onde foi publicado por Charlie Fink, vocalista da banda. Confira:

 

 


Scenes from the Suburbs

Está na internet o novo curta-metragem do diretor Spike Jonze – que tem no currículo “Onde Vivem os Monstros” e clipes do Sonic Youth, Daft Punk e Björk, entre outros.

Dessa vez o projeto ocorreu em parceria com o grupo indie canadense Arcade Fire, sendo baseado no último cd da banda, “The Suburbs” – que por sinal, é maravilhoso. Se você não conhece o trabalho dos caras, vale a pena baixar as músicas para então assistir ao vídeo.

O filme tem duração de 30 minutos e está disponível no site Mubo – mas ao menos aqui, tive problemas na execução do vídeo e assisti através do Youtube mesmo.


A farra da Copa

Problemas. Muitos deles já eram previstos, assim que se soube que o Brasil seria a sede da Copa do Mundo de 2014.

O ano já está repleto de episódios polêmicos no mundo do futebol nacional, sempre marcados pela politicagem e obscuridade nos bastidores. Estamos apenas em março e já houve a unificação dos títulos de Robertão e Taça Brasil bem como a homologação da Copa União de 1987, reconhencendo o Flamengo como campeão nacional daquele ano. Particularmente, não concordo com as decisões, mas o problema é COMO foram tomadas: na surdina e dentro de um contexto de favores políticos que interessam a CBF – mas isso merece um debate mais profundo em outro post.

Isso sem falar na polêmica negociação para os direitos de transmissão para TV, que desde a dissidência no Clube dos 13 se tornou uma confusão sem fim no imbróglio longe de ser resolvido que envolve RedeTV!, Globo, Record, e claro, a CBF e o dinossauro que a preside, Ricardo Teixeira. Me focarei na Copa, ou ficarei escrevendo sobre ações obscuras no futebol até 2014.

O presidente da FIFA abre o envelope que "revelou" quem sediaria a Copa de 2014. O Brasil concorreu sozinho.

Não pretendo fazer aqui uma análise apocalíptica. Sei que problemas ocorrem em todos os países que organizam eventos dessa dimensão – a questão é que aqui, eles parecem se multiplicar. E eles só tendem a se repetir nas Olímpiadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Em um rápido giro pelas notícias (vale a pena ler na íntegra, basta clicar nos links), se vê de maneira escancarada o abuso do poder que envolve uma Copa do Mundo sendo usado de maneira a obter benefícios próprios/políticos. Vamos lá:

18/03/2011: Obra no Maracanã deve custar mais de R$1 bilhão

Sete meses depois de licitar a reforma do Maracanã por R$ 705 milhões, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), admitiu ontem que as obras no palco da final do Mundial de 2014 podem custar cerca de 50% a mais.
Assim, o novo Maracanã custará quase R$ 1,1 bilhão.”

Só aqui já se tem uma imensidão de assuntos a serem debatidos. O Maracanã em si, por exemplo. Com R$1 bi, é possível construir um estádio novo e ultra moderno. Mas como há o já conhecido saudosismo que emperra muitas coisas no Brasil, foi preferido não colocar nada abaixo em prol de um remendão. Apenas sete meses após a licitação, de repente perceberam que a marquise do estádio está com problemas e precisará de mais investimentos. Certo. Esse é um dos problemas de ter o estádio escolhido para a final antes mesmo de estar pronto.

Superfaturamento não é o suficiente?

 

O Don Corleone brasileiro.

18/03/2011: Ricardo Teixeira pode ser alvo do Congresso pela terceira vez

18/03/2011: Ricardo Teixeira entra em campo para impedir CPI da Copa

Pois é, essa semana foi recheada desse tipo de notícia envolvendo esse sério senhor acima. As revoltas no mundo árabe bem que poderiam chegar até a CBF, já que está díficil desse ditador largar o osso.

Mais uma vez o nome de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), volta a fazer parte das rodas de discussão do Congresso Nacional. O deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) passou a semana recolhendo assinaturas de apoio a um requerimento de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue, entre vários pontos, as ações do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 e a divisão dos lucros do evento.

Até o momento, 117 deputados assinaram o documento, dos quais 13 pediram que os nomes fossem mantidos em sigilo até que o requerimento seja entregue. Tiririca (PR), Romário (PSB), Popó (PRB), Gabriel Chalita (PSB), Luiza Erundina (PSB) e Paulo Maluf (PP) foram alguns dos parlamentares que apoiaram o pedido de abertura da CPI. Para que o requerimento seja apresentado é necessária a adesão de 171 deputados.

No entanto, Ricardo Teixeira também já fez a sua parte. Na quarta-feira (16), ele passou o dia na Câmara dos Deputados fazendo lobby para que a CPI não seja aberta. Os líderes do DEM, do PT e do PTB já se manifestaram contra a CPI. Garotinho alfinetou os colegas. “Quero ver quem vai assinar o requerimento porque, no balanço a que tive acesso, constatei que muitos foram os deputados e senadores que receberam recursos da CBF para suas campanhas”.

Parece piada, certo? São necessárias 171 assinaturas para a criação da CBF. Entre os que assinaram estão Romário (sim, o jogador) e TIRIRICA (!).

Agora, o resultado é simples. Se a CPI for de fato aberta, Teixeira sairá impune pela terceira vez.

Um acontecimento grande – como a condenação do presidente da CBF –  poderia atrapalhar o desenvolvimento da Copa no Brasil.

E com certeza, muita, mas muita gente não quer isso.

De toda forma, temos de ficar de olho.


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